ÓPTICA

 Caio Pompeu de Toledo

 

 

Depois de tanto ensaio,

Indefinido, titubeante,

Num minuto, num segundo,

Peguei-lhe num flagrante!

Do fundo dos olhos, lá dentro da esfinge,

Surgiu uma frase tão quente

que ainda agora me atinge.

São seus olhos, meu bem?

Ou são os meus? Você que olhou, ou eu que vi?

- Mas também, há tanto tempo que andava a procurar,

é natural que eu já nem saiba se seus olhos falaram sem querer,

ou os meus, ou por descuido ou por desejo,

viram coisas que você não quis dizer.

 

(enviado por Fábio Alonso Andretta)

 

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